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JUJU SABE TUDO I
Lira Vargas
Juju é uma menina muita sabida. Seu jeitinho alegre convencia a todos a atender sua curiosidade.
O céu azul, o sol brilhava nas folhas e as nuvens faziam desenhos lá no alto. Juju foi até a janela e começou a aplaudir olhando para o céu, dava risadas e sorria muito. A mamãe dela ouviu aquela barulhada e se aproximou da Juju e tentou saber o motivo de tanta alegria.
- Juju o que você está achando tão engraçado e pra quem você está aplaudindo?
Juju fez sinal de espera para a mamãe e continuou aplaudindo e sorrindo com muita alegria.
- Mas Juju, o que está acontecendo de engraçado lá no céu?
Juju parou, colocou as duas mãozinhas no rosto e respondeu.
- Mamãe, ontem ouvi no repórter da televisão, que quando o céu está com nuvens espessas é sinal de chuva, e ouvi também que os rios estão secos e muitas pessoas estão sem água em suas casas. E agora que vi o céu azul, com aquelas nuvens, estou aplaudindo os urubus que estão lá no céu, pois eles é que estão espalhando as nuvens para que elas caiam em pingos de chuva.
A mamãe da Juju riu muito, acariciou seu rostinho e disse:
- Olha Juju, você tem razão. O calor está muito forte, muitas pessoas estão sem água, as nuvens espessas é sinal de chuva. Mas os urubus não fazem chover. O que faz chover é a concentração do calor que sobe encontrando com o ar frio. Esse encontro descongela as partículas de água então faz chover. Entendeu?
Juju deu outra risada, aplaudiu a mamãe e disse:
- Mas mamãe, por isso que aplaudi, pois sabia que você viria aqui explicar como cai a chuva. E sabe porque os urubus estão voando lá no céu?
Quando a mamãe da Juju ia explicar. Juju se adiantou e disse:
- É porque eles não podem andar nas nuvens.
A mamãe da Juju deu um sorriso, a beijou no rosto e explicou.
- Juju, os urubus sobem bem alto para digerirem a alimentação. E na constituição do Brasil é crime matar urubus, ele tem muita importância na cadeia animal.
Na manhã seguinte...
Juju acordou bem cedinho, foi ao banheiro, tomou banho, escovou os dentes e permaneceu no banheiro por algum tempo. A mamãe percebeu a demora e a chamou. Juju respondeu que estava ocupada.
O tempo passou e a mamãe preocupada foi até lá ver o que estava acontecendo com a Juju, pois dizia a ela que nunca fechasse a porta do banheiro com tranca. Assim evitaria transtornos se precisasse abrir por algum motivo desagradável. Chegando à porta, a mamãe deu duas batidinhas e perguntou.
- Juju, por que você está demorando tanto?
A Juju respondeu:
- Mamãe estou lendo.
A mamãe da Juju não costumava deixar revistas no banheiro para que o hábito de ler fosse cultivado na escrivaninha. Não tinha nada no banheiro para leitura. Mas sabia que a Juju não falava mentiras. Tornou a bater na porta, mesmo sabendo que não estava trancada, a mamãe tornou a perguntar o que a Juju estava lendo. Ela então respondeu:
- Mamãe o creme dental contém triclosan e citrato de zinco.
A mamãe da Juju concordou e pediu que ela abrisse a porta.
A Juju obedeceu e disse que estava preocupada com o zinco, pois o telhado do canil era de zinco e seus dentes iriam ficar da mesma cor.
A mamãe sorrindo, abraçou a Juju explicando:
- Juju, esse zinco que contém na fórmula do creme dental e outro produto que associado ao triclosan são ingredientes ativos que combatem a placa bacteriana que é prejudicial aos dentes.
A mamãe de Juju preparou a mesa do café e disse que tinha boas notícias, que o papai da Juju chegaria no domingo.
A Juju perguntou qual lugar o papai estava.
- O papai está em Espírito Santo resolvendo uns problemas da empresa.
A Juju ficou pensativa, colocou leite na caneca, adicionou açúcar e experimentou o sabor. Deu um sorriso e disse:
- Vitória.
A mamãe sem entender perguntou a Juju se ela sabia que Vitória era a capital do Estado do Espírito Santo.
A Juju imediatamente olhou para a mamãe, fez “Hum-hum" pois estava com a boca cheia. Engoliu o pão calmamente, tomou mais um gole de leite então respondeu:
- Mamãe, você disse que o papai foi resolver uns problemas, então eu disse “Vitória” ele vai resolver todos os problemas.
A mamãe da Juju sorriu muito.
Juju pediu licença à mamãe e foi para o quarto fazer os exercícios do colégio.
Na hora da chegada do ônibus escolar, Juju estava arrumada com seu uniforme bem lavadinho, o sapato também lavadinho e os cabelos penteados. Beijou a mamãe numa despedida alegre.
Ao subir para o ônibus, Juju observou com cuidado os degraus e segurando no corrimão, Juju subiu. Os coleginhas sorriam alegres por estarem indo para a escola. Juju cumprimentou a todos e sentou ao lado de Brenno.
A Juju perguntou ao Brenno se ele fizera as tarefas de casa. Ele respondeu que sim. Juju perguntou se ele tomou banho e escovou os dentes, ele respondeu que sim. E tanta pergunta Juju fazia, que Brenno perdeu a paciência e falou:
- Juju, fica quieta, por que você pergunta tanto?
Juju deu uma risada e disse:
- É porque seu nariz está com uma melequinha.
Brenno se apressou em limpar com a manga da blusa, já envergonhado.
A Juju então o acalma:
- Brenno, não tem melequinha em seu nariz. Se você tivesse tomado banho e escovado o dente, não ficaria tão assustado com uma melequinha.
E deu boas risadas.
Brenno ficou zangado e virou o rostinho para o outro lado.
O ônibus escolar seguia pelas ruas de Niterói, quando Akaki (japonesa) desembrulhou um brinquedinho e abriu a janela para jogar o plástico pela janela do ônibus.
Juju imediatamente falou:
- Akaki, Akaki, não faça isso. A mamãe disse que o plástico é um material difícil de acabar. Se você jogar no chão, o vento o arrasta para o bueiro, vai agarrar nas paredes e entupir. Quando chover, as águas vão transbordar e invadir as casas das pessoas. E na terra ele fica mais de mil anos pra dissolver.
Então a Akaki falou:
- Ora Juju, os lixeiros varrem as ruas todos os dias.
A Juju impaciente colocou as mãos na cintura, e disse:
- Mas se todas as pessoas jogassem os lixos nas caixas de coleta a cidade ficaria ainda mais bonita, você não acha?
Akaki deu um sorriso e concordou e, sem saber onde colocar o plástico perguntou o que fazer.
A Juju imediatamente sugeriu que ela guardasse na mochila e quando chegassem no colégio ela jogaria na caixa de coleta indicada para plásticos.
No colégio da Juju têm coletoras para plásticos, papel e alumínio. Juju olhava atenta para a rua. Lá na esquina o sinal de transito iluminado.
- Seu Jarbas, quando o sinal está verde é para a gente passar?
O Seu Jarbas respondeu:
- Ë Juju, quando está verde é para a gente passar.
Quando o sinal fechou motorista ouviu as risadas dos coleginhas e olhou rapidamente para trás e disse:
- Essa Juju sabe tudo.
Juju imediatamente falou:
- Mas como pode as pessoas estão paradas do outro lado da calçada!!!
O Seu Jarbas passou a mão pela cabeça, deu um sorriso e disse que quando parasse o ônibus explicaria melhor.
Juju pediu para ficar perto dele. Mas o Seu Jarbas respondeu:
- Não, Juju, fique ai sentada. O balanço do ônibus é perigoso e você pode levar um tombo.
Quando o ônibus parou na porta do colégio, o Seu Jarbas explicou para Juju e todos os coleginhas:
- O sinal verde de frente é para passar. Se estiver de frente para os automóveis está liberado. Se estiver vermelho é para parar. O amarelo é para ficar atento.
A Juju tornou a perguntar.
- Seu Jarbas, o sinal estava verde, mas as pessoas estavam paradas na calçada.
O Seu Jarbas deu um sorriso e explicou:
- Juju, quando o sinal está verde para os automóveis, está vermelho para as pessoas, entendeu?
Juju olhou para os coleginhas e disse:
- Ë isso mesmo, perguntar é muito bom. A gente aprende no colégio e na rua, né?
Juju desceu do ônibus se despediu do Seu Jarbas. Os coleginhas a acompanharam.
Na entrada do colégio, as coletas de lixo estavam enfileiradas. Juju chamou Akaki e indicou o local para ser depositado o plástico.
Na sala de aula, a professora Julita disse que naquele dia a aula seria muito divertida com informações sobre o índio.
Juju se levantou e disse:
- Tia, acho que o índio Araribóia estava de mal com Niterói.
A professora Julita sorriu e perguntou por que ela achava que o índio Araribóia estava de mal com Niterói.
A Juju se levantou e respondeu:
- É que ele fica de costas e de braços cruzados iguais minha mãe quando está zangada com o papai.
A tia Julita pacientemente explicou:
- Juju, na história de Niterói, contam que o índio Araribóia era o cacique e muito valente. Morava no Rio de Janeiro e foi escolhido pelos portugueses para guardar Niterói da invasão dos franceses. Dizem que ele atravessou nadando a baia da Guanabara.
Juju tornou a insistir
- Mas tia, então por que ele está de costa para Niterói e de braços cruzados?
A tia Julita respondeu:
- Juju, fizeram sua estátua naquela posição homenageando sua bravura. Ele está assim, simbolizando um guardião da cidade.
Juju então falou:
- Que bom, mas quando a mamãe está de costas e de braços cruzados ela está guardando a zanga.
Tia Julita sorrindo disse:
- Meus queridos alunos, o papai e a mamãe às vezes ficam zangados, como vocês ficam zangados quando não concordam com alguma coisa. Mas quando isso acontecer, sabe o que devemos fazer?
A turma ficou olhando para a professora Julita esperando uma resposta:
- A gente deve pensar em Deus com carinho e pedir que Ele abençoe nossos pais para que a zanga vá embora.
A Juju concordou e disse:
- Deus é muito bonzinho pois um dia minha mãe prendeu o dedo na gaveta e disse: “ai meu Deus” e quando cheguei perto, ela já estava sorrindo e deu um abraço no papai.
A professora Julita anunciou que estava na hora do recreio.
- Meus queridos alunos, observem as caixas de coletas de lixo.
A Juju se adiantou e disse:
- Tia, já expliquei para Akaki aonde jogar o lixo de matéria plástica e outros.
Tia Julita deu um sorriso e disse:
- Essa Juju sabe tudo.
Terminou a aula, Juju foi para a calçada para atravessar a rua. Uma guarda da prefeitura apitava para os automóveis. Juju não se conteve, aproximou da guarda da prefeitura e disse:
- Hei! Hei! Posso apitar um pouquinho?
A guarda deu um sorriso e respondeu:
- Desculpe mas não posso deixar você apitar, só os guardas treinados e autorizados podem apitar no trânsito.
Juju colocou a mão no rosto e disse:
- Mas eu conheço o significado das cores do sinal.
A guarda de transito então perguntou.
- Qual seu nome?
- Juju.
A guarda de trânsito, sorrindo perguntou:
- Juju, quando o sinal está verde?
Juju respondeu:
- Quando está verde a pessoa podem atravessar. Amarelo é para esperar e o vermelho não pode atravessar.
A guarda então completou:
- Muito bem Juju, você está de parabéns.
O sinal ficou verde e ao atravessar, Juju falou:
- Mas só devemos atravessar na faixa de pedestres.
A guarda de transito sorriu:
- Essa Juju sabe tudo.
Do outro lado da calçada a Juju falou baixinho.
- Então quando eu crescer, quero ser guarda de trânsito.
A amiguinha Akaki corrigiu a Juju imediatamente.
- Ora Juju, você disse que quer ser médica e agora já mudou?
Juju fez cara de zangada para Akaki e disse:
- Ora Akaki, de dia vou ser guarda de trânsito e de noite sou médica no hospital, pois a mamãe disse que quando nasci, era de noite...
Akaki balançou os ombros sem entender.
Juju entrou na portaria do prédio e o porteiro estava com uma gaiola com um passarinho assustado. A Juju parou perto colocou as mãos nos joelhos para agachar e ver bem de pertinho o passarinho e perguntou:
- Seu Orlando, por que você prendeu esse passarinho? Ele cometeu algum crime? Ele matou outro passarinho? Ou roubou a comidinha de outro passarinho?
Seu Orlando respondeu:
- Não Juju, é que quando amanhece ele canta muito e alegra minha casa.
Juju então falou:
- Deixe-o ser livre. Ele canta porque sente saudade dos outros passarinhos, de voar pelas árvores e comer frutas.
Seu Orlando coçou a barba e disse que ele custou muito caro.
O elevador chegou e Juju entrou sem se despedir do Seu Orlando.
Ao chegar no apartamento, Juju beijou a mamãe e disse que precisava falar algo muito sério.
A mamãe então perguntou:
- Pode falar Juju.
A Juju sentou no sofá, cruzou as perninhas e disse:
- Mamãe, preciso daquele walkman e do cd de cantos de pássaros para salvar um passarinho que está preso lá na portaria.
A mamãe sorriu e concordou com a Juju. Pegou walkman e o CD e deu para a Juju que saiu correndo. Não esperou o elevador e desceu as escadas. Chegando na portaria gritou:
- Seu Orlando, a minha mãe comprou um CD de cantos de pássaros e ela ouve qualquer hora que ela deseja ouvir o canto dos passarinhos. Toma de presente, você pode ouvir no "okemen".
Seu Orlando deu um sorriso e entregou a gaiola para Juju.
Imediatamente ele colocou o cd e ouvindo os cantos sorriu:
- Essa Juju sabe tudo.
Quando Juju chegou no apartamento, foi direto na janela e pelas grades, abriu a porta da gaiola. O passarinho voou soltando um piado e Juju sabia que era um agradecimento. Ela bateu palmas e sorria gritando:
- Passarinho, diga aos urubus que hoje vai chover.
A mamãe da Juju a abraçou e disse:
- Juju você sabe tudo. Você tem muito amor em seu coração, Papai do Céu fica feliz quando as pessoas fazem uma boa ação.
Juju sorriu e disse:
- Mamãe compra um CD de canto de pássaros pra mim?

"Os pássaros quando estão presos nas gaiolas cantam de tristeza e de saudade. Assim como os cantores cantam a saudade em suas melodias."
Lira Vargas, 24/05/2002.

Lira Vargas é uma simpática e divertida autora de vários romances e dezenove livros infantis, todos guardados em sua casa.
liravargas@email.com.br

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