Welcome | Bienvenido

Liter & Art Brasil

movimento cultural de literatura e arte do brasil

Juju e a Borboleta Prililim
Lira Vargas

Juju brincava no jardim, as flores coloridas se misturavam com as borboletas de voavam de flor em flor. Juju gritava de felicidade com tanta beleza da natureza. Ela colocava as mãozinhas nos joelhos convidando as borboletas para pousarem, mas elas voavam se exibindo em suas cores brilhantes. Juju corria atrás delas na tentativa de pegá-las, mas não conseguia.
Juju correu, correu, que ficou tão tonta que adormeceu na grama.

Eis que as borboletas a rodeavam tanto que Juju ficou tão colorida como as borboletas, pois o sol brilhava no céu azul. As flores se misturavam às borboletas que nos cravos vermelhos, tinham borboletas amarelas, as margaridas brancas tinham borboletas vermelhas, as rosas tinham borboletas azuis, o jardim ficou muito mais lindo.

De repente Juju sonhou que uma borboleta tão colorida, mas tão colorida se aproximou de seu rostinho, que a luz refletia muito forte, que a Juju precisou fechar os olhos para poder enxergá-la melhor. Em suas asas, tinha umas manchas cintilantes amarela, azuis, vermelhas
Rosa, e roxa. O reflexo das cores dessa borboleta coloriram os cabelos da Juju que ficou azulado, o rostinho da juju ficou vermelhinho, as roupas da Juju, tinha variadas cores. A borboletinha foi se aproximando, e Juju ouvia um som igual ao sininho que sua mamãe pendurou na janela de seu quarto, que quando tinha vento emitia um som suave e gostoso de ouvir.

A borboletinha de aproximou de Juju, seus olhinhos eram rosas com pontinhos azuis, foi chegando mais perto, a Juju a olhava sorrindo e aguardando essa borboletinha curiosa chegar.
- Oi, oi - disse Juju - você é linda, em seu corpo estão todas as cores que a mamãe me ensinou.

A borboletinha continuava a olhá-la com curiosidade.
A Juju tentou se levantar, mas a borboletinha colocou uma das patinhas em seu braço tentando impedi-la suavemente.
A Juju entendeu e permaneceu deitada de lado enquanto a borboletinha passeava pelos seus cabelos e pelo seu rosto.
A Juju ria das cócegas que suas patinhas faziam pelos seus braços
Nesse momento a Juju falou com a borboletinha.
- Olha, vou me virar de bruço para olhá-la melhor.
A borboletinha emitiu um som e sorriu. Começou a voar à sua volta e de suas asas, as cores refletiam como luzes de árvore de natal.

Juju perguntou a borboletinha:
- Você pode falar?

A borboletinha parou no ar, virou a cabecinha pro lado e respondeu:
- Ora, posso, pensei que você não queria conversar.

A Juju deu uma risada e disse:
- Mas desde que você chegou perto de meu rosto que tentei falar com você!

A borboletinha pousada numa flor bem pertinho da Juju falou:
- Mas não entendi o que você queria. Alias ainda não entendi o que você quer comigo.

A Juju respondeu :
- Quero ser sua amiga, quero ter as suas cores.

A borboletinha disse:
Mas você não pode ter minhas cores, você é gente.

A Juju insistiu:
Mas as cores que você tem nas suas asas são lindas, por que não posso tê-las também?

- Ora Juju, você não tem asas,
- Mas posso conseguir asas?
A borboletinha, sorrindo, disse que conhecia uma maneira da Juju ficar colorida, mas ter asas ela não sabia.

A Juju fez carinha de zangada e pediu:
- Então quero ficar colorida.

De repente a borboletinha deu um vôo e sumiu. A Juju aguardou deitada de bruços no jardim, e admirava as outras borboletas voando de flor em flor.

Depois de algum tempo a borboletinha voltou, pousou em seu nariz e saiu. Cada vez que voltava pousava em um lugar de seu rosto.

A Juju sorria pois não entendia o que a borboletinha tanto voava e voltava. Lembrou que não sabia seu nome. Perguntou a borboletinha:
- Ei, ei, qual seu nome?

A borboletinha estava no alto e só virou a cabecinha e respondeu:
- Prilinlim, Prilinlim, Prilinlim....

A Juju respondeu:
- Prilinlim, Prilinlim...que nome lindo!

A Juju permaneceu deitadinha, quando a borboletinha Prinlilim retornou e pousou em suas orelhinhas e em seus cabelos.

Prilinlim, então falou:
- Pronto, Juju você está colorida como eu.

A Juju sorrindo curiosa disse:
- Mas como você sabe meu nome?

Porque muitas vezes ouvi sua mãezinha chamá-la no jardim.
A Juju sorria de alegria. Mas tornou a perguntar.
- Prinlinlim, estou mesmo colorida?

A borboletinha mais que depressa respondeu:
- Sim, Juju, você está colorida.

A Juju então insistiu.
- Prinlinlim, mas não consigo ver as cores de meu rosto.

A borboletinha então disse:
- Juju, para você ver as cores de seu rosto, você precisa de um espelho. Mas aqui não tem espelho.

A Juju ficou quietinha pensando. Passeou os olhos pelo céu, e lembrou:
- Já sei Prinlinlim! Chegue mais perto, bem pertinho de mim.

A Juju olhou nos olhos da Prinlinlim e viu seu rosto refletido nos da borboletinha.
Deu um grito de alegria que a borboletinha caiu no chão.
A Prinlinlim assustada gritou também.
- Juju, não grite assim pois fiquei assustada.

A Juju sorria de alegria e ficou de pé no jardim se misturando as outras borboletas, formando círculos de cores.
A Juju não satisfeita parou e procurou a sua amiguinha borboleta.
- Prinlinlim, Prinlinlim, cadê você? Quero outra coisa!

A Prinlinlim estava misturada às outras borboletas e Juju tentava achá-la.
A Prinlinlim não respondia para que a Juju a descobrisse.
Juju colocou as mãozinhas no ouvido para distinguir o som que emitia das borboletinhas e apontou para a Prinlinlim.
- Achei você, você está ai.

A Prinlinlim pousou numa flor vermelha e ficou mais linda ainda.
- Juju, você é sabida. Como me descobriu ?
- Ora, você tem o mesmo som dos sininhos que a mamãe colocou em minha janela.

A Prinlinlim sorrindo chegou mais perto.
- Tudo bem, mas o que você quer mais?

A Juju fez carinha de choro e respondeu:
- Quero voar igual a vocês.

A Prinlinlim deu uma gargalhada e disse:
- Juju, você não pode voar como nós, você não tem asas.

A Juju sentou numa pedra no jardim e disse:
- Ora, se você me fez tão colorida, por que não pode arranjar asas para eu voar?

A Prinlinlim coçou a cabecinha e disse:
- Olha Juju, as cores que arranjei para você foram fáceis, mas arranjar asas....é bem mais difícil.

Nesse momento, passou um avião e a Juju apontou e disse:
- Ora, o avião é pesado e voa...

A prinlinlim sorrindo, pousou no nariz da Juju e explicou:
- Juju, o avião voa por outro mecanismo, nós voadores voamos pela natureza, o ser humano não voa, mas anda, é inteligente e outras coisas boas que a natureza lhe deu.

A Juju não satisfeita com a explicação perguntou:
- Mas se você me fez tão colorida, como pode isso?

A borboletinha, sorrindo deu outro vôo e dessa vez, pousou na cabeça da Juju, bem pertinho de seus ouvidos e confidenciou:
- Juju, essas cores, peguei nos estojos de maquiagem de sua mãezinha.

A Juju então sorrindo disse:
- Ah! Então quando eu quiser ficar igual a vocês posso usar o estojo de maquiagem de minha mãe.

Nesse momento, umas nuvens começaram a se formar sobre a direção da Juju e uns pingos de chuva começaram a cair.
As borboletinhas procuraram abrigo e a Prilinlim gritava para a Juju se abrigar da chuva para não ficar gripada.
A Juju corria feliz pelo jardim com a chuva caindo:
- Prinlinlim, sou colorida como você, Prinlinlim a chuva é uma delicia.

Nesse momento a mamãe da Juju assustada, abraça a Juju e a carrega no colo toda molhada.
A Juju desperta em seus braços e diz.
- Mamãe, cuidado para não manchar as cores de meu rosto.

A Mamãe sorrindo fingia acreditar que a Juju estava colorida.
- Pode deixar Juju, não vou manchar as cores de seu rosto.

A Juju despertou com sua mãe trocando sua roupinha e pediu um espelho.
A mamãe da Juju, pegou um espelho e sorrindo falou:
- Juju, você está linda.

A Juju espantada percebeu que não tinha cores em seu rosto. Então falou para sua mãe.
- Mãe, a borboletinha Prinlinlim coloriu meu rosto iguais às suas asas, eu estava linda.

A mamãe da Juju sorrindo falou:
- Juju, você sonhou com as cores de seu rostinho, mas as lembranças das cores ficarão em seus pensamentos.

A Juju disse:
- Mamãe, é verdade, eu estava colorida.

Nesse momento o sininho bateu e Juju olhou e viu a borboletinha Prinlimlim pousada no pendão do sininho sorrindo para ela.
A Juju cantarolou para a mamãe:

- Prinlinlim, Prinlinlim, faz a borboletinha assim.
No sininho da janela a musiquinha assim.
É o nome da borboletinha colorida
Prinlinlim das flores do jardim.

E a borboletinha circulava o sininho com outras borboletinhas.

Lira Vargas é uma simpática e divertida autora de quatro romances e dezenove livros infantis, todos guardados em sua casa.
liravargas@email.com.br

Em Edições Anteriores, encontrará mais textos da escritora.

Liter & Art Brasil® | Webdesign: Elida Kronig©