O
meu avô (materno) Vitório, começou a me ensinar desde pequeno,
quando ainda tinha apenas 3 anos de idade, um pouquinho sobre este mundo mágico
das artes. Começou ensinando alguns truques (ilusionismos) com as mãos.
Depois me ensinou como contar piadas, adivinhas, entre outras tantas pegadinhas.
Quando estava com seis anos tive a oportunidade de conhecer os bastidores e a
sensação de estar em um palco, quando acompanhei os trabalhos de
meu avô com seu Grupo de Teatro GATA (Grêmio Alvorada de Teatro Amador)
da Vila Gomes em São Paulo. Foi quando comecei a aprender pequenas peças
teatrais cômicas, esquetes, e assim fui desenvolvendo o desejo de ser um
artista.
Quando completei 7 anos, ele começou a me introduzir no mundo da música: acordeom, viola, cavaquinho, violino e até pandeiro. De todos estes instrumentos, só consegui aprender violão.
Isso tudo aconteceu na minha infância, assim como aconteceu, na infância dele quando o meu Bisavô lhe ensinou tudo o que sabe. Que por sua vez também havia aprendido com o seu pai, lá na Itália. E que vêm sendo passado de geração em geração, como uma herança muito valiosa, deixada de pai para filho. Só que este saber não tem preço, não tem dinheiro e nem ouro que possa pagar. É algo que só sobrevive porque existem corações que ainda pulsam a arte.
Mas, todo este conhecimento adquirido estava ali, adormecido. Foi somente no ginásio que ele despertou.
Certo dia no ginásio, isso foi em 1977, a minha professora de artes
Maria de Lurdes precisava de um “pierrô”, para uma peça
de teatro. Ela havia montado um grupo de teatral com alunos do ginásio,
do colégio e ex-alunos da escola. A
peça
já estava sendo ensaiada, quando um dos integrantes da trupe desistiu.
E entre tantos garotos adivinha quem ela escolheu? Exatamente, fui o escolhido.
O sucesso foi tanto que ela me convidou para outro espetáculo, onde teria
que fazer o papel de um palhaço chamado “Mateus” personagem
do Bumba meu Boi. E quando menos percebi estava sendo solicitado em festinhas
de igreja, de escola, de aniversários, como “O PALHAÇO”.
Apenas em agosto de 1990, que percebi que precisava ter algo para diferenciar este personagem “palhaço” de tantos outros palhaços que existiam por ai. Foi quando decidi ter um nome. Em seguida procurei meu Tio Cido, o Palhaço Pirulito, para me ensinar alguns trejeitos, e ajudar na escolha da maquiagem e do figurino. Ele fez uma maquiagem em meu rosto baseado na sua própria maquiagem e disse: “Não se preocupe. Com o tempo você achará seu próprio traço, o seu andar e até mesmo a sua fala de palhaço”.
Bom, e foi dito e feito, no dia 12 de outubro de 1990, surge o “Palhaço Peralta”, assim como vocês o conhecem hoje.
Iniciei os meus trabalhos como animador de festas infantis. Animei incontáveis
aniversários, com muitos balões, confetes, serpentinas, brincadeiras
e mais brincadeiras, e o que não se pode deixar de ter em uma festa: muita
alegria.
Fiz também algumas apresentações em teatros, escolas e entidades
filantrópicas, contando inúmeras histórias: em 1992 “Mentira
tem Perna Curta”, “O Seqüestro dos Coelhinhos” e “Peralta
para Crianças Maiores de 60 anos”; em 1993 “Peralta e o Papai
Noel”; em 1994 “Toda Criança é Especial”; em 2006
“Como começou o Circo e o Primeiro Palhaço” e “Aconteceu
em uma Noite de Natal”.

A profissão “palhaço” é como outra profissão qualquer: médico, advogado, professor. Existem médicos, advogados e professores que ganham razoavelmente bem, enquanto outros na mesma profissão estão ganhando muito mal. Em geral, sempre digo, o melhor é fazer o que gosta, a remuneração é uma conseqüência. Para ser artista, a regra é: têm que gostar. Eu adoro o que faço. É gostoso saber que, todos os dias alguém fica feliz em me ver, que existe esta troca de energia que gera um sorriso espontâneo em cada esquina. Esta é a minha gratificação, ver o sorriso estampado em cada rosto e alegria alojada no coração de cada um. Isto não têm preço.
Está é uma pergunta que tento responder todos os dias. Sou feliz porque tenho uma legião de fãs, que me incentivam a continuar trabalhando. E esta legião vem aumentado gradativamente todos os dias. Tenho uma linha de trabalho “Clean “ sempre procurei fazer um trabalho didático, com brincadeiras suaves (sem violência), talvez tenha sido este diferencial, que me aproximou das crianças com tanta facilidade.
Quando descobri que existia um tal de “Orkut” e um tal de “Blog”,
fiquei pensando, o que fazer com isso? Normalmente as pessoas se utilizam para
relacionamentos e trocas de informações, mostrar suas fotos, fofocas
e principalmente falar mau um do outro. Nenhum dos casos anteriores me chamou
atenção, mas vi a possibilidade de como palhaço, de repente,
trazer alegria às pessoas. E foi através das palavras, com mensagens
positivas e de alegrias que comecei o meu trabalho e assim nasceu a minha frase
mais famosa:
Não se esqueça dos 3 Sss,
Sempre Sorria e Sorria.

Vou deixar uma mensagem não só para o papai e a mamãe,
mas também para o vovô e a vovó que muitas fezes cuidam de
seus netos enquanto os pais trabalham. Da mesma forma tios e tias e todas as pessoas
que cuidam ou vivem com crianças.
Tenho percebido que as crianças não têm mais a liberdade que
tínhamos de brincar nas ruas ou em terrenos próximos de casa. Por
causa do crescimento da urbanização e da violência que nos
circundam. Isso é prejudicial ao desenvolvimento criativo e físico
da criança. Que passa o seu maior tempo livre trancada em um "mundinho"
só dela, cada vez mais solitária.
As crianças também vêm trocando aquelas brincadeiras de roda,
de corda, de bolinha de gude, três Marias, peão, mãe da rua,
queimada, caminhãozinho de lata, bonecas de pano, entre tantas outras delicias
criativas daquela época, pela Televisão, video-game, celular, computadores...
Enfim, tire um tempo para seus filhos e ensine a eles algumas brincadeiras. E
o mais importante brinque junto.
"Dê a seu filho o que ele mais precisa: seu tempo." (Provérbios)
Para todos que acreditam que o sorriso de uma criança é o
verdadeiro espelho do mundo.
Deixo aqui um beijo no coração.
Palhaço Peralta.
Entrevista cedida a Regis Caserta
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