A
poesia espana o meu cotidiano.
A poeira sobe, se esparrama
e brilha à luz do sol.
Tudo me pertence.
Sinto, ouço, vejo, transformo.
Tenho licença.
Falo do objeto:
matizes, serventias,
conteúdo, transcendência.
Falo não só da caneca,
mas do cálice sagrado.
Falo do amor, falo da morte,
de inveja, limite, saudade,
- do que é humano.
Tão simples, tão complicado.
A poesia espanta o meu cotidiano!
(como água que brota da fonte/ Edit. Barcarola/2000)
Laura Esteves é poeta, contista, nasceu no Rio de Janeiro. Pertence ao grupo Poesia Simplesmente no Teatro Gláucio Gil e é curadora do Fórum Poesia (UFRJ). Seu primeiro livro Transgressão, editado pela Sette Letras em 1977. O segundo, O sabor, o saber e o sonho em 1998; Como água que brota da fonte foi seu terceiro livro individual. "A mulher, a pedra", seu primeiro livro de contos editado pela Ibis Libris.
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