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Liter & Art Brasil

movimento cultural de literatura e arte do brasil

Um tímido Sol magistral, Sol Vilas-Boas
Olá pessoal!
Tenho uma amiga muito especial. A Sol Vilas Boas.
Pedi a ela que me contasse sua historinha, como chegou às portas da Arte que hoje exercita tão magistralmente.
Sim, ela meio que envergonhada, me respondeu e é com grande alegria que apresento essa querida amiga, luz de vida que emoldura sonhos e cores.
Como a Sol há milhares de artistas de quem eu adoraria conhecer a história e saber em que parte do Brasil essa gente faz um “SOL” mais belo nascer todos os dias.
Escrevam que eu publico!
Abraços do Regis

Sol Vilas-BoasMinha trajetória no mundo das artes começou com a decoração de interiores e desenhos de arquitetura. Criando plantas baixas para stands de vendas de imobiliárias eu usava nanquim, ecoline (tinta de origem francesa parecida com aquarela) e aquarela.

A aquarela me conquistou. Na verdade, me apaixonei.
A transparência, a luminosidade, a leveza e ao mesmo tempo a dificuldade em dominá-la, me desafiavam e me faziam ficar horas e até dias mergulhada nesse universo interessante e colorido.

É fácil entender minha admiração por William Turner (1775-1851), considerado o maior aquarelista de todos os tempos e que chegou a produzir aproximadamente 19 mil aquarelas.

Tempos depois senti a necessidade de conhecer outras técnicas e parti para o estudo da pintura usando outros pigmentos. O aprofundamento no estudo da história da arte foi super importante.

Conheci os “Grandes Mestres” das artes. Passei a entender o mistério e a beleza da união das formas e cores em todas as suas dimensões e como conseqüência vi surgir a minha opção na escolha do estilo a ser seguido.

Comecei como a maioria fazendo arte figurativa:
Vasos de flores, casarios, paisagens, marinhas e até retratos. Não me sentia bem e copiar não me agradava, mesmo que comercialmente se tornasse mais rentável.
Sempre surgia aquela triste frase: “Que lindo! Parece uma fotografia!!”... que me deprimia. Notei que aquela não era a minha praia.

Embora, no mundo da arte acadêmica, alguns insistam em dizer que se você muda algo aqui, algo ali, o trabalho se torna seu e deixa de ser cópia, não me convenci.
Se eu quisesse uma imagem real de uma paisagem, por exemplo, eu usaria a arte da fotografia, que considero fantástica. Mesmo que eu pintasse uma cena de uma fotografia feita por mim, mesmo assim, continuaria sendo cópia, achava eu, contrariando os adeptos do “olhar e pintar igual.”
Admiro profundamente artistas que atualmente ainda se realizam com pinturas figurativas lindas. Bem que me esforcei, mas não consegui!

Caminhando nos estudos da história da arte me familiarizei com os “ismos”. Expressionismo, impressionismo, abstracionismo, etc...
Todos os movimentos e todos os gênios de todos os tempos tiveram papel fundamental para a arte de seu tempo e a contemporânea. Em cada uma dessas fases tivemos artistas incríveis, com histórias maravilhosas e grande importância na história da arte.

Tela CirandaQuando dei de cara com o Concretismo, tomei um susto.
”EPA! É isso aí!” Era a minha chance de usar o geometrismo que usava no desenho de arquitetura, mas de forma livre.

Como trabalhar, leve, livre e solto com linhas, retas, curvas e elementos geométricos, que em princípio são formas limitadas?

Duvida? Experimentei e estudei essa possibilidade, somei aos estudos do mundo maravilhoso das cores e iniciei uma viagem linda. Amei!
Alguém ainda pode exclamar: PARECE FEITO POR COMPUTADOR!!!!!!
Aí eu mereço!

Tela Desdobramentos

Conceituando meus atuais trabalhos.

Wassily Kandinsky (1866-1944) concluiu que uma obra não necessita de um motivo reconhecível

AVALIAÇÃO CRÍTICA

Ninguém terá a sensação de “viagens” por paisagens românticas, praias paradisíacas ou matas verdejantes, tampouco verá pôr-do-sol luminoso ou um amanhecer esplendoroso. Nada de mar sereno ou revolto ou barquinhos ao vento. Luas inspiradoras estarão fora. Vasos e arranjos de flores também não aparecerão desta vez. Nada em meus atuais trabalhos facilitará sua percepção através de conceitos pré-estabelecidos.

OBJETIVO

Fazer com que os olhos do espectador com relação ao trabalho não se satisfaçam em “OLHAR”... analisar as cores... identificar usando o seu conhecimento do mundo real... classificar... emitir sua opinião e seguir em frente.

O importante é que o apenas “olhar” se transforme em “VER” e que seus olhos sintam a necessidade de percorrer cada centímetro do trabalho. Quero que os emaranhados, desdobramentos, construções e desconstruções das linhas curvas, retas e das cores cause, sim, estranheza e curiosidade. Quero que o espectador siga com o olhar todas as formas e as cores que se repetem infinitamente e/ou se entrelaçam num vai-e-vem, ora nervosas, ora serenas. Que esse comportamento confunda (no bom sentido) os severamente metódicos, e instigue os demais. Que o seu olhar e sua percepção escorreguem, saiam por um lado da tela e voltem pelo outro lado, tentando achar o começo, meio e fim do trabalho. Podem GOSTAR OU NÃO, mas certamente ficarão, mesmo que por alguns instantes, tentando reorganizá-lo conforme seu conceito pessoal.
Acho cômico, intrigante, instigante e normal a tentativa que fazem alguns espectadores quando querem mudar ou pôr ordem naquilo que lhes parece uma escandalosa desordem ou causa uma certa estranheza. Tal comportamento diante de trabalhos assim mostra de certa forma o interesse pelo que está sendo observado. Quando se tenta mudar, organizar, alterar algo, certamente é porque a imagem nos tocou por alguma razão e precisa, na nossa avaliação, que seja modificado.

Na arte, nenhum conceito deve ser definitivo.

Sol Vilas-Boas

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