O Poveb foi idealizado e criado por Aluizio Rezende (professor, engenheiro e escritor) e Mariangela Mangia (educadora e professora) em meados de outubro de 2006. Moradores da Barra da Tijuca e, tendo em vista o envolvimento cada vez maior de Aluizio Rezende com os eventos poéticos no Rio de Janeiro, a partir de 2005, o casal resolveu criar um movimento cultural que objetivasse a implementação das atividades culturais no bairro. A idéia surgiu também do fato de a Barra da Tijuca, talvez devido a presença de seus grandes shoppings e condomínios de luxo, ter sido estigmatizada como um bairro onde as atividades culturais estivessem sempre relegadas a um plano inferior. O Poveb veio para mudar essa noção.
Nesse sentido, Mariangela e Aluizio, sendo este integrante da APPERJ (Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro), resolveram reunir poetas para dizer poesia, com o objetivo de tornar possível ou mais freqüente esse tipo de evento no bairro, como acontece em diversos pontos da cidade. E sendo Mariangela moradora do Condomínio Novo Leblon, o Poveb teve como base para a sua implantação os espaços oferecidos por esse condomínio, inestimável apoio que nunca deixaremos de reconhecer.
Realizamos então o primeiro evento (Poveb 1) no Piano Bar do Clube do Condomínio Novo Leblon, em 10/11/2006, e diversos outros, inclusive fora do Rio de Janeiro, como na AFEA (Associação Fluminense de Engenheiro e Arquitetos), na Praia de Itacoatiara, Niterói.
O Poveb continua em seu reduto natural (Condomínio Novo Leblon), só que dessa vez no Piano-Bar do Clube do Condomínio, onde se deu o nosso evento inaugural.
Traga seus poemas e a vontade de dizer poesia.
Av. das Américas, 7607 - Barra da Tijuca, em frente ao Shopping InfoBarra.
Informações: alurez@rjnet.com.br ou (21) 8625-7878
"O Conde Ivan Mikailovitch... achava que tudo marcharia melhor
quanto mais dinheiro recebesse do Tesouro..." Dentre as principais
qualidades que lhe tinham granjeado posição, uma consistia em "não
possuir princípios morais, tanto para a sua vida privada como naquilo
que se referia aos assuntos do Estado, o que lhe permitia estar ou não
de acordo com as outras pessoas, conforme as conveniências... Era-lhe
indiferente que os seus atos fossem morais ou imorais, que tivessem
conseqüências boas ou..." (Leon Tolstoi, em Ressurreição).
Qualquer
semelhança com juízes, desembargadores, ministros e a maioria dos
políticos brasileiros não será mera coincidência.
a mulher que levou os cem mil
pro homem, pra autoridade
tá presa
o cara que se beneficiou
do oferecimento, do mimo,
como se diz hoje em dia,
ro(n)dou ,
mas está muito solto
gozando do que auferiu
e ainda pôde indicar
um outro pro seu lugar
lugar que lhe permitiu
tudo o que conseguiu
Xangô, seu cajado bramiu
fulo de tanta indecência
justiça que ainda não viu
Jesus Cristo, pura inocência,
mas ele também desistiu
ou já não quer nem saber
de se preocupar com o Brasil
mas isso é só o meu parecer
Rio, 29/05/2007
Onde é o recomeço do caminho que perdi?
Como é que não te esqueço desde o dia em que te vi?
Ou será que o teu início é o fim da minha estrada,
ou será que inicio com o fim da caminhada?
Como pedes a certeza que não posso te ofertar,
com a tua sutileza de querer me provocar
ao lançar o teu olhar que é austero e mau talvez,
mas do qual eu não tolero me afastar durante um mês,
ou um ano, ou uma vida? Teu olhar é mesmo assim:
ele abre a ferida que não vai fechar no fim.
Teu semblante me enlouquece quando chegas a chorar.
Vou fazendo muita prece pra que não possas parar.
Isso só me envaidece se descubro que fui eu.
Quem me dera tu me desses toda hora o que me deu.
Eu reclamo da insolência do frescor do pôr-do-sol
que me traz a tua ausência que escondi sob o lençol
só pra ver se aparecias quando eu te descobrisse
pra fazer o que querias que eu fizesse e que te disse
que seria uma tolice – todo o teu corpo beijar,
mas que dessa maluquice não iria me furtar.
Minha vida é a certeza que te quero à exaustão.
Tu me matas de beleza, tu me matas de paixão.
O sabor da framboesa e da flor a afeição
é o que deixas sobre a mesa pra depois da refeição.
Tu decoras nossa sala com teu jeito irreverente.
Tu me xingas e me calas se não sou obediente
pra querer após o almoço só o que tu sabes me dar
e curtir num alvoroço até à hora do jantar.
Mas agora o que pressinto é que preciso terminar,
pois senão tudo o que sinto não vou ter onde botar.
Sei que tu não te comoves com o que escrevo ou te falo,
mas ainda que me olhes com desprezo, não me calo.
Rio, 30/04/2006
Aluizio Rezende, em entrevista a Sandra Reis
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